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17 de março de 2021

Igualdade entre gêneros: o caminho para aumentar a liderança feminina nas empresas

A liderança feminina sempre existiu dentro das empresas e das organizações, mas nunca em uma proporção justa em relação aos homens. No Brasil, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, as mulheres representam 45% da força de trabalho no país, porém, ocupam apenas 3,9% dos cargos relacionados à presidência de conselho.

Em relação à posição de CEO, o mesmo estudo revela que o cargo é ocupado por 3,4% das mulheres. Isto nos mostra que ainda existe um longo caminho a percorrer quando o assunto envolve mulheres em posições de liderança.

Contudo pode ser que, num futuro muito próximo, isso possa melhorar. Segundo o relatório Women in Business and Management: The Business Case for Change (em tradução livre, ‘Mulheres nos negócios e na gerência: por que mudar é importante para os negócios), divulgado em 2019 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), órgão pertencente à Organização das Nações Unidas (ONU), empresas que investem em políticas de igualdade de gênero e diversidade apresentam melhores resultados, inclusive na sua rentabilidade.

Ou seja, quanto maior for o número de mulheres em uma empresa, sobretudo ocupando cargos de liderança, melhores serão seus resultados.

Para chegar nesta conclusão, a pesquisa da OIT reuniu dados de mais de 70 mil empresas em 13 países diferentes. Dentre as perguntas feitas, os entrevistados disseram que, quando a equipe apresenta maior diversidade de gênero, há mais ganhos em produtividade, rentabilidade, criatividade e inovação. A maioria dos participantes (57%) relatou que é possível perceber melhorias na reputação da empresa, logo, na sua imagem pública.

A pesquisa ainda traz uma outra conclusão importante: empresas que apostam na igualdade de gênero e têm mulheres em cargos de liderança atraem e retêm talentos com mais facilidade.

Por mais animador que seja o cenário trazido pelo relatório da OIT, sabemos que a realidade é bastante diferente. Como já citamos lá no começo, a concentração de mulheres em cargos de liderança ainda é muito baixa.

Por que é tão difícil ver mulheres em cargos de liderança?

Por mais que o público feminino tenha ido para o mercado de trabalho e vencido barreiras, a discriminação contra as mulheres é histórica e ainda existe. É por isso que muitos coletivos e movimentos feministas em atividade no mundo inteiro lutam para que a igualdade entre os gêneros seja algo permanente.

Outra pauta feminista é mostrar que as mulheres continuam sofrendo com o machismo no ambiente de trabalho. Muitas, inclusive, revelam não ter suas opiniões ouvidas e levadas em consideração dentro das empresas. Além disso, não podemos esquecer dos casos de assédio, tanto sexuais quanto morais.

Mais um fator que joga contra o aumento da liderança feminina nas empresas é a questão cultural cultivada pelas próprias mulheres, bem como a falta de autoconfiança; a diminuição das expectativas sobre elas mesmas e a dificuldade de tomar iniciativa em ambientes majoritariamente masculinos.

Neste ponto, vale destacar que muitas mulheres sofrem de uma espécie de desordem psicológica conhecida como a Síndrome da Impostora. Conforme o sociólogo e doutorando em estudos interdisciplinares de gênero da Universidade Autônoma de Madrid (UAM), Jose Vela, essa síndrome corresponde a uma “autopercepção pela qual uma pessoa se considera menos qualificada para uma determinada função, cargo ou desempenho do que seus companheiros”.

A principal causa desse problema, segundo o pesquisador, está na baixa autoestima e numa excessiva autoexigência, decorrente da própria sociedade. Nos caso das mulheres, Vela explica que “a socialização diferenciada, pela qual homens e mulheres são educados em papéis distintos e em valores distintos, cria o caldo de cultura perfeito para que as mulheres sintam de forma maciça a síndrome da impostora”.

Carreira e vida pessoal

Falando em diferenças entre homens e mulheres, chegamos a um outro ponto que afasta ainda mais as mulheres da posição de liderança: serviços domésticos e familiares, que recaem mais sobre elas.

Desde que as mulheres são crianças, a sociedade faz questão de mostrar a elas que, ao decidir construir uma carreira de sucesso, investir no estudo e na sua capacitação profissional, elas terão que, automaticamente, abrir mão de constituir uma família, casar e ter filhos, se esse for o desejo delas.

Mesmo aquelas que “insistem” em seguir com ambos os projetos de forma simultânea, o mercado de trabalho é o primeiro a fechar as portas e ser pouco flexível. A prova disso está num dado trazido por uma pesquisa realizada pela Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas: metade das mulheres brasileiras estava fora do trabalho após 12 meses da licença maternidade.

7 princípios de empoderamento das mulheres para a ONU

Diante desse cenário, a ONU Mulheres – uma das entidades internacionais que mais atuam pela igualdade entre gêneros e pelo desenvolvimento humano – acredita que, ao empoderar mulheres, conscientizando-as sobre o seu papel e capacidade, mais curto ficará o caminho rumo à equidade social.

Para isso, a ONU Mulheres e o Pacto Global criaram os 7 Princípios de Empoderamento das Mulheres. O objetivo é ajudar a comunidade empresarial a incorporar em seus negócios valores e práticas que promovam a igualdade entre gêneros, fortalecendo as economias, impulsionando os negócios e melhorando a qualidade de vida de mulheres, homens e crianças, promovendo o desenvolvimento sustentável.

Veja quais são os princípios:

  1. Estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero, no mais alto nível.
  2. Tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não-discriminação.
  3. Garantir a saúde, segurança e bem-estar de todas as mulheres e homens que trabalham na empresa.
  4. Promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres.
  5. Apoiar empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento das mulheres através das cadeias de suprimentos e marketing.
  6. Promover a igualdade de gênero através de iniciativas voltadas à comunidade e ao ativismo social.
  7. Medir, documentar e publicar os progressos da empresa na promoção da igualdade de gênero.

 

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