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14 de março de 2019

O que todo mundo deveria saber sobre liderança feminina

Liderança feminina em escritório

Os dados mostram, precisamos falar sobre liderança feminina. O mercado carece de, nós, mulheres: na esfera pública, apenas 10% dos países são liderados por mulheres. Segundo o IBGE, o Brasil ocupa a 152ª posição em um ranking de 190 países sobre presença feminina em parlamentos. No âmbito empresarial, o cenário não é nada melhor: as mulheres são 45% da força de trabalho no Brasil, mas ocupam apenas 3,9% dos cargos de presidência de conselho e apenas 3,4% dos(as) CEOs são mulheres, aponta estudo da Fundação Getúlio Vargas.

Os homens comandarem o mundo significa que não somos representadas e ouvidas da mesma forma na hora de tomar decisões que impactam diretamente nossas vidas. A discriminação contra as mulheres é histórica e acredito que um mundo igualitário é aquele onde as mulheres ocupem metade dos cargos de liderança e os homens assumam metade dos papéis dos lares.

Por que temos tão poucas mulheres em cargos de liderança?

De fato, é uma situação complexa que envolve muitos obstáculos: desde a discriminação de gênero, explícita ou não, e questões culturais que culminam em barreiras internas das próprias mulheres: como falta de autoconfiança, diminuição das expectativas sobre nós mesmas e dificuldade de tomar iniciativa em ambientes majoritariamente masculinos. Uma pesquisa recente da Geração Y apontou que mulheres se mostram menos propensas do que os homens a se caracterizarem como líderes, visionárias, confiantes e dispostas a correr riscos. Também é muito menor o número de mulheres de fato aspirando a posições altas. Sheryl Sandberg, em seu livro, “Faça Acontecer”, ilustra bem a forma como nos refreamos: “interiorizamos as mensagens negativas que ouvimos ao longo da vida – as mensagens que dizem que é errado falar sem rodeios, ter iniciativa, ser mais poderosas que os homens. Reduzimos nossas expectativas do que podemos realizar”.

Família X Trabalho

Hoje ainda somos cobradas para desempenhar todas as funções familiares e existe um pressuposto na sociedade que este papel é inteiramente nosso. Desde cedo ouvimos como teremos que fazer renúncias para sermos boas mães e essas renúncias geralmente envolvem a carreira: afinal, o mercado de trabalho também não nos dá a flexibilidade que precisamos para atender a essas responsabilidades. A comprovação dessa falta de flexibilidade é que metade das mulheres brasileiras estava fora do trabalho após 12 meses da licença maternidade, de acordo com a pesquisa realizada pela Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas.

Isso sem mencionar os ambientes onde o machismo é explícito, onde muitas mulheres não têm suas opiniões ouvidas e levadas em consideração e muito pior: sofrem diversos tipos de assédios, sexuais e morais. Acaba virando um círculo vicioso, afinal, uma das principais soluções para isso são mais mulheres no poder, representando nossos interesses e defendendo nossas bandeiras. Mas, como apontado acima, são muitas as barreiras enfrentadas para isso.

Além de toda a luta por ambientes mais igualitários e mais seguros psicologicamente, o estudo da McKinsey, Delivering Through Diversity, aponta que empresas com diversidade de gênero em papeis de tomadas de decisão estratégicas tem retorno financeiro 15% acima da média nacional de sua indústria. Este número em 2017 subiu para 21%. Ou seja, mais mulheres na liderança significa também empresas mais rentáveis.

E por onde começar?

Meu grande desejo, enquanto liderança feminina, é que não desistamos. Que insistamos em sermos ouvidas e não aceitemos nada menos que a valorização pelo nosso trabalho. Que sejamos sim ambiciosas, almejando posições tão altas quanto a dos homens – mas de forma autêntica. Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza, escreveu: “claro que ainda há uma grande pressão para que a gente assuma comportamentos tipicamente masculinos para exercer o poder. Mas é preciso vencer essa imposição, assumir a feminilidade em cargos de chefia e mostrar que é possível ser tão – ou mais – competente sem adotar os padrões convencionais de administração feitos por homens para homens”.

Acredito que o primeiro passo para uma mudança é a consciência. Consciência de que esses obstáculos existem, são reais e que é papel de todos: homens e mulheres, líderes ou não, promoverem essa transformação. O caminho para isso também tange a empatia e escuta ativa nos ambientes de trabalho. E, apesar do mundo precisar de mais lideranças femininas, também desejo que saibamos respeitar as vontades de todas, afinal, lugar de mulher é onde ela quiser.

– Maria Carla Rubio, Gerente de Produto do IEEP

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