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21 de agosto de 2019

Metodologias ágeis: o Scrum é apenas uma delas

A única certeza que temos é que o mundo está em constante mudança. As empresas que crescem exponencialmente são justamente aquelas que conseguem reagir de forma rápida às mudanças e se adaptar. Organizações que desejam ser realmente inovadoras não podem insistir em manter estruturas burocráticas, excesso de planejamento e tomadas de decisões lentas. Uma forma de alcançar isso é com as metodologias ágeis.

As metodologias ágeis são justamente alternativas aos métodos tradicionais e surgem com o objetivo de possibilitar a formação de times ágeis, focados em soluções criativas, simples e efetivas.

O que são metodologias ágeis?

Metodologias ágeis estão presentes na indústria desde o surgimento do modelo Toyota de produção, cujo foco era enxugar a produção, reduzir custos e desperdícios.

Apesar disso, foi em 2001, em Utah, que oficializou-se o Manifesto Ágil. Reuniram-se dezesseis grandes mentes da área de TI e foi desenvolvido tal documento que traz diretrizes para a melhor performance no desenvolvimento de softwares. Pelo menos, este era o objetivo inicial.

Hoje o Ágil é aplicado por diversas empresas dos mais variados setores, não sendo limitado a área de TI.

O termo método é conhecido como o conjunto de procedimentos, regras e operações previamente fixados que permitem chegar à determinada meta, fim ou conhecimento.

Também significa um conjunto de ações que uma pessoa realiza de forma mais ou menos estruturada na realização de uma tarefa.

Métodos Ágeis são, então, um conjunto de frameworks, ferramentas e ações baseados em ciclos iterativos e incrementais que trazem flexibilidade e adaptabilidade.

Conhecer estes métodos e suas diversas formas de aplicação é essencial para apoiar a construção de uma cultura ágil.

Uma característica importante sobre todos eles, é o foco na inspeção e adaptação dos ciclos e iterações, focados em gerar entrega de valor constante para os clientes, processos e equipes.

As metodologias ágeis são justamente alternativas aos métodos tradicionais e surgem com o objetivo de possibilitar a formação de times ágeis, focados em soluções criativas, simples e efetivas.

Se tratando de métodos ágeis, cabe a nós lembrar dos princípios do Manifesto Ágil, são eles aplicados amplamente por empresas de todos os setores justamente por sua capacidade de melhorar os resultados dos times.

metodologias ageis

Os valores do ágil

Quais são, então, tais diretrizes que vem dominando o mercado?

  • Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas:

A melhoria dos processos é muito importante, mas é ainda mais essencial que a equipe esteja engajada e tenha uma excelente dinâmica de trabalho.

Afinal, são as pessoas que são capazes de dar um passo a mais, aplicar as ferramentas, executar os processos e, inclusive, melhorá-los.

 

  • Produto em funcionamento mais que documentação abrangente:

Desprender muito tempo apenas com planejamentos detalhados e relatórios extensos não geram o resultado necessário. O que gera o resultado é a execução, uma entrega que funcione e que possa ser testada e aprimorada.

 

  • Responder a mudanças mais que seguir o plano:

Já falamos um pouco que as mudanças são constantes.

Os requisitos dos clientes mudam durante a execução de um processo ou projeto.

É mais importante ser capaz de identificar as mudanças e se adaptar rápido do que o apego ao plano que pode não mais corresponder às necessidades de quando foi planejado.

 

  • Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos:

O trabalho com o cliente deve ser contínuo e não apenas durante o fechamento do contrato.

O time não deve ficar preso apenas ao que foi negociado. Ao contrário, deve buscar ativamente o cliente. Solicitar feedbacks e aprovações constantes para que a geração de valor seja de fato relevante.

Tendo esses valores como base, hoje existem uma série de frameworks ágeis: o Scrum é apenas um deles. Conheça o resumo de algumas metodologias ágeis abaixo.

OKR

Qual a relação entre OKR e Ágil?

A definição de OKRs traz uma definição de objetivos e metas,para tangibilizar a estratégia da empresa, de forma menos sistemática e mais enxuta que os métodos tradicionais.

Os métodos tradicionais geralmente trazem planejamentos  e metas de longo prazo, mais rígidas e com pouca cocriação com os colaboradores, o que, em alguns cenários, pode segurar o crescimento exponencial que a empresa poderia ter caso fosse mais flexível, inovadora, mais adaptativa as mudanças e com indivíduos mais protagonistas.

Assim, as principais diferenças entre OKR e outras metodologias tradicionais são:

  • Metas ágeis: os ciclos de definição das metas são trimestrais, gerando maior senso de urgência e capacidade de adaptação às mudanças
  • Simplicidade: definição direta, com escrita simples e objetiva, poucos “indicadores”, construindo apenas o que é, de fato, prioridade
  • Definição bidimensional: 40% dos OKR’s vem top-down (da direção) e 60% são bottom-up (definidas pela própria equipe/pessoa), estimulando a autonomia
  • Transparência: todos os colaboradores tem acesso a todas as OKRs, de todas as equipes e pessoas, de forma visual

Mas o que é OKR?

OKR (Objective and Key Results) é um framework para gerenciar metas e resultados de forma simples e dinâmica.

Foi criado pelo presidente da Intel Andrew Grove e hoje é utilizado por empresas de diversos portes.

Entre as que utilizam estão o Google, Linkedin, Twitter, Dropbox e etc.

Mas não se engane ao pensar que só empresas deste porte utilizam a metodologia, na verdade as OKRs são extremamente aplicáveis em vários tipos de organização, diferenciando-se apenas na forma como é aplicada, nos níveis de participação e outros detalhes de implantação.

Muitas vezes olhamos para as metodologias ágeis e pensamos que não são aplicáveis em nossa empresa, mas tente se distanciar deste pensamento e se abra para o mundo ágil.

OKRs tem seus objetivos e resultados chaves definidos em ciclos.

Eles são geralmente de 3 meses, e, ao fim de cada ciclo, são replanejadas. Analisando assim a efetividade e resultados alcançados e aperfeiçoando constantemente a cada período.

 

A metodologia tem dois componentes:

1) O objetivo (onde eu quero ir)

2) Um conjunto de Key Results (como saberei que cheguei lá)

Eu quero _____ (objetivo), mensurado por _____ (resultados chave)

 

Exemplo de uma OKR   

Objetivo: Diminuir custo de operação (está ligado ao componente número 1, ou seja onde eu quero ir)

Resultados Chave (está ligado ao componente número 2, que mostra como chegaremos lá)

  • KR1: Diminuir perda de materiais em 15%
  • KR2: Aumentar produtividade do time em 10%
  • KR3: Manter a taxa de entrega do produto no prazo em 90%
  • KR4: Diminuir tempo de produção em 5%

É importante dizer que, assim como todos os métodos ágeis, as OKRs devem ser transparentes e compartilhadas por toda a empresa. Assim definindo prioridades claras e dando autonomia para as equipes.

Se quiser aprofundar no estudo de OKRs, acesse agora nosso E-Book que explica mais sobre essa metodologia: E-Book Metodologias Ágeis Pt. 3: OKR

Design Thinking

O Design Thinking, em sua tradução, significa “a forma de pensar do designer”.

O designer, sendo interpretado aqui como um profissional que busca soluções, enxerga oportunidades ao invés de problemas, é crítico, criativo e humano.

O designer, nesse caso, é capaz de formular questionamentos e desenvolver o raciocínio “fora da caixa”.

O Design Thinking, então, é um conjunto de processos e ferramentas para resolver problemas e desenhar soluções de forma criativa.

Podemos resumi-lo em três fases:

  • imersão;
  • ideação e
  • prototipagem.

E conta com as etapas de  de Entendimento (também chamada de Desentendimento ou Desconstrução), Observação (ou Pesquisa), Ponto de Vista, Ideação, Prototipagem, Teste e Iteração.

Metodologias ágeis: design thinking

O Design Thinking originalmente surge sendo amplamente utilizado para desenhar novas ideias de negócio e resolver problemas complexos (ou seja, que tem mais de uma causa, envolvem uma série de variáveis e indivíduos), com foco na sociedade e resolver os problemas das pessoas

E qual a relação do Design Thinking com o ágil?

O Design Thinking está intimamente relacionado com os valores do Manifesto Ágil.

Seu foco na colaboração e envolvimento com os usuários (e principalmente com clientes), faz com que as pessoas participem diretamente da construção das soluções.

O exercício da empatia ao longo de todo e o esforço constante para entender o outro, faz com que a solução seja adaptável e realmente útil.

E, além disso, o pilar de experimentação e prototipagem traz a ideia da agilidade.

Velocidade para testar o produto, para ter algo que funcione e possa ser aprimorado.

As aplicações do Design Thinking

Desde sua “criação” o Design Thinking vem sendo usado por diversas iniciativas, nas mais diversas áreas.

Podemos observar  empresas focadas completamente na capacitação e transferência desse conhecimento, como a IDEO. Seu fundador, Tim Brown, foi o criador do método do Design Thinking e a empresa acumula projetos desde o desenvolvimento terceirizado de novos produtos , como a pasta de dente que fica em pé, até a formulação de soluções complexas de problema. Nesse caso, usamos como exemplo o desenvolvimento de uma rede de suporte hídrica em uma região especialmente complexa da India.

Um outro case famoso é o desenvolvimento de uma máquina de ressonância magnética que fosse mais “amigável” para crianças, de forma que elas apresentassem menos resistência para realizar este exame, como mostra a imagem abaixo:

Case de aplicação da metodologia ágil design thinking

 

Mas não só de terceirização de inovação e solução de problemas, grandes grupos empresariais como Microsoft, Apple, IBM e Totvs mantém equipes ou escritórios inteiros voltados para a aplicação da metodologia para toda sua base e desenvolvimento sistêmico da mentalidade dentro da rede da empresa.

A Apple usa o processo em seu desenvolvimento de produtos, a Totvs mantém um escritório dentro de sua sede para aplicar a inovação aos seus projetos e capacitação da equipe e A IBM mantém escritórios pelo mundo onde aplica a metodologia junto ao mercado para validação e desenvolvimento de suas soluções.

Podemos citar como exemplo de produtos e serviços criados a partir da metodologia o Airbnb, o Uber, Lyft, entre outras iniciativas.

Se quiser aprofundar no tema, faça o download do nosso E-Book que explica  essa metodologia ágil: E-Book Metodologias Ágeis Pt. 1: Design Thinking

Lean Startup

A metodologia Lean, traduzido do inglês como “enxuto”, tem como base a redução de desperdícios e aumento da produtividade. Eric Ries, em seus estudos de gestão e agilidade, desenvolveu o termo “Lean Startup”. Esse, que deu origem ao livro Startup Enxuta.

“Toda atividade que não contribui para se aprender a respeito dos clientes é desperdício.” Eric Ries

Metodologia Ágeis: Lean

 

Nele é trazido o conceito de produto mínimo viável (MVP, do Inglês Minimum Viable Product), que significa: um produto que funcione, do menor tamanho e tempo possível de estruturação e que seja relevante o suficiente para que os clientes consumam e paguem com ele.

A partir desse MVP, o produto é melhorado constantemente, da seguinte forma:

  • Build (construir): transformar ideias em produto, construir o MVP
  • Measure (medir): ver como o mercado responde, buscar feedbacks
  • Learn (aprender): aprimorar o produto

Diferente um pouco das demais metodologias que apresentamos aqui o Lean Startup é mais usado para a criação de novos produtos ou novas empresas.

Entretanto, pode ser utilizado para a gestão como todas as outras, até por que sua base é iteração e análise de resultados e aprendizados, assim como todas as metodologias ágeis.

Scrum

Um dos métodos ágeis que mais crescem no mercado. O Scrum é uma metodologia ágil de gerenciamento de projetos focada em planejamentos curtos.

Com o Scrum, a prioridade e a ordem de execução das atividades vai sendo definida aos poucos. Ou seja, ao longo do projeto, com entregas de valor rápidas e constantes para o cliente.

Dessa forma, o projeto ganha flexibilidade para se adaptar às mudanças e evita-se perda de tempo com planejamentos de muito longo prazo.

Afinal, o longo prazo contém muitas incertezas, principalmente no mundo de hoje.

Além disso, as equipes no Scrum funcionam com muita autonomia e diferentes papéis, quando comparados ao método tradicional de gerenciamento de projetos.

Atualmente, empresas do mundo inteiro vem usando métodos ágeis em seus projetos ou modelo de gestão.

No Estados Unidos, o método é bem consagrado há anos e vem chegando bem forte no Brasil.

A Scrum Alliance estima que 70% das empresas que trabalham com tecnologia já usam ou estão implementando Scrum/agile.

Verifiquem abaixo algumas empresas que utilizam o Scrum:

Empresas que utilizam scrum

O objetivo deste artigo é iluminar outras metodologias ágeis além do Scrum, por isso essa breve explicação.

Caso queira mais informações sobre essa metodologia, já fizemos alguns materiais muito completos e que estão disponíveis para você acessar agora mesmo:

E-Book Metodologias Ágeis Pt. 2: Scrum

O que é Scrum: Desvendando de uma vez por todas

Outras metodologias ágeis ou que se relacionam intimamente com elas são: Kanban, Inception Agile, entre outras.


Ingrid Coutinho

Ingrid, ou Ingri(diz) pros mais íntimos, faz parte da equipe de Produto do IEEP apaixonada por disseminar a inovação e intraempreendedorismo nas organizações, vem atuando na área de gestão estratégica e consultoria, com amplo contato com ecossistemas de inovação, sendo, ainda, CEO da Estonteco, startup que, em Março/2019 foi até a Malásia disputar um prêmio internacional. Adora filosofar sobre a vida e é teimosa e sonhadora na mesma medida (imagina?).

 

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